quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Volta:Marque o triunfo do querer e da dedicação


A Volta chegou ao fim hoje, na cidade da Guarda, com Alejandro Marque a envergar a túnica amarela e a receber os beijos das hospedeiras do pódio, como vencedor de etapa.

Marque tinha a vontade de vencer, talvez porque em anos anteriores já merecesse tamanha honraria. Bom rolador, foi um ciclista que foi evoluindo gradualmente, perdendo peso, e ganhando novas capacidades, para outro tipo de terrenos. Não é, um trepador por excelência, mas a sua evolução foi lenta, bem cimentada e o êxito, por vezes diz-se que premeia os audazes, mas também aqueles que procuram o triunfo à custa de trabalho, de dedicação e entusiasmo.

O seu triunfo nada tem de desprimor nesta Volta a Portugal. Mereceu-o, lutou por ele e sacrificou-se em muitas ocasiões para o seu colega de equipa Gustavo Veloso, o que mais o dignifica na hora de subir ao pódio. Na etapa para a Torre, o episódio do carro de apoio que o protegeu do vento durante algumas centenas de metros, nada tem de desprimor para o ciclista, a culpa não foi dele. Pelo contrário, Marque sempre foi um atleta correcto e cujos triunfos ficaram pautados por justiça.

Foi, pois, um triunfo de um ciclista que, ao longo da sua carreira nunca teve muita sorte. Começou no Boavista, onde esteve quatro anos, ingressou no Tavira, voltou ao Bessa, regressou a Tavira de onde saiu o ano passado, para ganhar a Volta este ano. Já em anos anteriores esteve perto de lutar pelo triunfo, mas quedas e azares diversos impediram-no de discutir o triunfo.

Natural da Galiza, não teve a sorte de ter sido seleccionado para representar a única formação galega no historial do ciclismo espanhol, a Xacobeo, o que foi uma grande injustiça, tamanho era o seu valor e tamanha poderia ter sido a sua projecção. Restou-lhe continuar em Portugal, onde sempre se afirmou.

Mas o C/RI de hoje era enganador e traiçoeiro. Muito longo, algum vento em sentido contrário, muitas pequenas subidas, é um percurso para homens possantes. O curioso, no meio de uma Volta que dizem ter sido tão dura, os dois primeiros lugares tenham sido ocupados, prioritariamente por roladores.

Sem homens possantes na alta montanha, onde pairam os Gomes, Cassios, Pinhos, Gamitos do passado , a prova não faz diferença ao longo das etapas, acabando o C/R por assumir um papel fundamental na hierarquização dos mais aptos.

O bloqueio das grandes equipas matou as fugas, e na montanha os ataques são substituídos por “passadas” rítmicas, fortes, mas pouco selectivas. Os estrangeiros, de quem se esperavam grandes cometimentos, mais uma vez ficaram nas covas, regressando aos seus países de mãos a abanar e desejosos de nunca mais cá voltarem.

Ao longo dos nove dias de competição, ( a Volta terminou hoje, amanhã não conta ) alguns fartaram-se de atacar, outros de seguir na roda, esperando pelo seu momento. Uma coisa parece certa, porém, todos tentaram fazer o melhor, embora muitas vezes de forma pouco perceptível, ou pelo menos entendível, à luz do bom senso.

A Volta terminou com um triunfo justo, no sentido de justiça e no sentido de limitação, apenas quatro segundos separaram os dois primeiros. São ciclistas da mesma equipa, é verdade, mas é sempre triste para quem perde por esta tão pequena diferença, porque no final fica sempre a sensação amarga de que, afinal, quatro segundos representam 40 metros, que ,no final de uma prova tão longa como a Volta a Portugal, é muito pouco.

Mas, dos dois homens que lutaram até final, Marque foi, pelo menos, aquele que deu mais o litro, em prol do seu colega, talvez por isso, e só por isso, o triunfo lhe assente como uma luva.

Quanto a Rui Sousa bateu todas as expectativas ao assegurar o terceiro lugar no pódio, confirmando desta forma, que era a aposta certa da equipa da Efapel, para poder aspirar ao triunfo na Volta.

Desde início que o chefe de fila da equipa de Carlos Pereira se assumiu como o líder da equipa, e já na chegada a Viana do Castelo isso foi evidente . Combativo, e sem ser um especialista do C/R conseguiu manter um lugar no pódio.

Rui não perdeu a Volta hoje, e ele sabe disso. Rui Sousa perdeu a Volta ontem, porque não conseguiu cavar um fosso para os seus mais diretos adversários, e também, porque na hora da verdade, não teve ao seu lado os amigos certos.

Por isso mesmo, Rui Sousa foi um lutador, mas em vão e, na ânsia de querer o triunfo, muitas vezes as decisões não foram as mais assertivas, e disso também se podem queixar alguns dos seus colegas.



Alejandro MARQUE OFM/QUINTA DA LIXA 0:49:06 —
2 Gustavo VELOSO OFM/QUINTA DA LIXA 0:49:42 a 36
3 Rui SOUSA EFAPEL/GLASSDRIVE 0:50:34 a 1:28
4 Marcel WYSS IAM CYCLING 0:50:56 a 1:50
5 Delio FERNANDEZ OFM/QUINTA DA LIXA 0:51:09 a 2:03
6 Eduardo SEPULVEDA – J BRETAGNE/SÉCHÉ ENVIRONNEMENT 0:51:17 a 2:11
7 Dion BEUKENBOOM CYCLINGTEAM DE RIJKE/SHANKS 0:51:34 a 2:28
8 Vegard LAENGEN BRETAGNE/SÉCHÉ ENVIRONNEMENT 0:51:35 a 2:29
9 Edgar PINTO LA ALUMÍNÍOS/ANTARTE 0:51:36 a 2:30
10 Reto HOLLENSTEIN IAM CYCLING 0:51:43 a 2:37
11 Daniel SILVA RÁDIO POPULAR/ONDA 0:51:52 a 2:46
12 Jaco VENTER MTN/QHUBEKA 0:51:57 a 2:51
13 Daniil FOMINYKH – J CONTINENTAL TEAM ASTANA 0:52:05 a 2:59
14 Carlos OYARZUN LOULETANO/DUNAS DOURADAS 0:52:06 a 3:00
15 Alexander RYBAKOV RUSVELO 0:52:08 a 3:02

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